Sunday, December 4, 2016

175 ANOS DE ALBERTO SAMPAIO


"Hei-de morrer simples estudante vendo sempre, a cada passo, no assunto mais simples novos horizontes ignorados"
Alberto Sampaio (1841-1908)




Edição Postal comemorativa dos 175 anos do nascimento de historiador minhoto, percursor das ciências sociais e humanas em Portugal.

Coleção de Postais, produzida pelos Alunos de Artes Visuais da Escola Secundária de Alberto Sampaio (2015/16)

Sunday, August 7, 2016

Os postais e a promoção turística / Postcards and touristic promotion

De acordo com o jornal Público, o litoral alentejano está a promover-se em postais impressos na hora.



According to the Portuguese newspaper Público, the southern coast of Portugal has been promoted this Summer in postcards printed on the spot.

Friday, May 27, 2016

O formato postal na divulgação de eventos culturais

A associação cultural d'Orfeu, de Águeda, organiza todos os anos um Festival Intermunicipal de Músicas do Mundo - o Festim. Este ano a divulgação do programa é feita sob a forma de postais ilustrados.


The cultural association d'Orfeu, from Águeda, organises every year a Intercity Worldwide Musics Festival. This year the programme is promoted in a set of postcards.

Sunday, December 27, 2015

Postal de Boas Festas de 2015


Entre nós, dentro do espírito das Festas,  o Natal é aquele que tem mais força e profundidade. E como somos cada vez mais mundo, temos no princípio do advento aquilo que de mais generoso e solidário podemos por estes dias partilhar. É o mistério nos permite imaginar que de um curral, num lugar inóspito, uma manjedoura e umas palhas, pode emanar uma revolução que interpela toda a humanidade.


Este ano, como habitualmente, ao ter de "manufacturar" o postal de Boas Festas, deparei-me com uma inequívoca fotografia de Sebastião Salgado, em África, sugestivamente da sua obra Genesis e, sem hesitar... é verdade, sendo preciso recriar o presépio na sua autenticidade intemporal, estou certo, não andaria muito longe do que o fotógrafo fixou. Foi só proceder à instalação.

Feliz Natal e um Auspicioso Ano Novo de 2016

Tuesday, November 24, 2015

Janelas de Braga

Mais uma vez a suportar a edição de um livro. No caso, I love Braga - janelas, batentes e azulejos, do fotógrafo, Libório Manuel Silva (ed. Centro Atlântico.pt, Nov 2015), aqui partilhamos o postal ilustrado de uma composição de exemplares das primeiras, que dão motivo ao livro.


Aqui fica a sugestão de um passeio pelo centro histórico de Braga para admirar a diversidade de janelas que a cidade oferece, e que o olhar perspicaz de Libório captou e ordenou para nosso deleite. Na livraria perto de sua casa.

Monday, June 29, 2015

Concurso de postais sonoros

O audioblogue Arte Radio lançou um concurso de criação sonora, que convida à criação de 'postais' de som, "como uma pequena amostra da vossa vida, da nossa época, da estação", dizem. Estes 'postais' deverão ter 4 minutos, no máximo, e ser alusivos ao tema "Verão 2015".
Em tempos, o projeto Arte Radio já teve postais destes online. Eis a versatilidade do postal... ou o lado visual do som!



The Art Radio audioblog has just launched a competition of sound creation, which invites people to create sound postcards, "as a small sample of your life, of our epoque, of the season", they say. These postcards should be no longer than 4 minutes and regard the theme "Summer 2015". 
In the past, the project Arte Radio has already had these kinds of postcards online. Here it is the postcard's versatility... or the visual side of the sound!

Sunday, April 12, 2015

Kawara’s Postcards no Guggenheim (NY)

When was the last time you sent a postcard?

Questiona-se Caitlin Dover, no Daily Mail, a propósito de “I got up”, uma das doze secções de ON KAWARA – SILENCE (Feb 6 – May 3, 2015, GuGG, NY), a derradeira e, talvez, a mais extensa exposição de On Kawara (1932-2014), proeminente membro da avant-garde artística japonesa, da Tokyo do pós-guerra, que morreu em dia impreciso no ano passado em Nova York a poucos meses desta ser inaugurada. A secção que nos reteve a atenção é constituída por uma vitrine e 16 painéis (rampe three) exibindo mais de 1 500 postais ilustrados, em dupla face, dos cerca de 8 000!, que o artista expediu sistematicamente ao longo de 11 anos, entre 1968 e 1979, aos seus amigos e conhecidos, entre os quais se encontravam alguns dos mais referenciados artistas da década de 1970, tais como Kasper König, Sol LeWitt, Lucy Lippard, e outros.


Kawara optou por usar o espaço do verso do postal ilustrado destinado à mensagem para carimbar a invariável, quão intrigante, mensagem: levantei-me às”, indicando rigorosamente a hora a que o fazia, geralmente por volta das 10:00 e as 11:00 A.M. Tendo somente terminado o projecto apenas quando perdeu o carimbo de borracha com que apunha suas mensagens.
Mais do que uma expressiva série tão recorrente do conceptualismo artístico da época, onde poderemos situar a sua obra, os cerca de oito milhares de postais ilustrados chancelados à alvorada de Kawara têm um alcance bem mais vasto, porque traduzem uma filosofia de vida. Diríamos mesmo, para além do sentido da arte, do abstraccionismo sistemático do método e da disciplina férrea que esta comporta, a produção/expedição diária de postais ilustrados, que chegou a compreender, ao longo de anos, o envio de dois espécimes no mesmo dia, é um desafio à nossa imaginação, ao próprio conceito de objecto artístico. As demais secções da presente exposição assim o confirmam. Além dos cartões postais (I Got Up, 1968-79), veja-se, o exemplo: das Date paintings, (Today, 1966-2013) uma elegia à referenciação cronológica a partir da inscrição de uma data (a branco) sobre um fundo de tela monocromático (vermelho, azul, ou cinzento); mas sobretudo, making maps (I Went, 1968-79), o mapeamento através de uma linha vermelha em plantas vulgares fotocopiadas (24 vol’s), dos múltiplos itinerários urbanos que percorreu pelo mundo, com coordenadas, dando conta precisa do lugar, do tempo e das relações pessoais que travou; mas também, o catálogo diário dactilografado (I Met, 1968-79), organizado em volumes encadernados registando as pessoas com quem se encontrava diariamente; ou mesmo, as compilações exaustivas, dir-se-ia, algo obsessivas (One Million Years, 1970-98) em que dois artistas deveriam proceder à leitura de um livro de 20 volumes, a anunciar as datas que permeiam os anos de 998.031 AC e 1.001.995. Mas também, a partir da colecção de outros suportes corriqueiros, como: álbuns de recortes de jornais (I Read, 1966-95); calendários (One Hundred Years, 1970-98); ou os cerca de 1000 telegramas que enviou entre 1969 e 2000 aos amigos, artistas e coleccionadores de arte, começando por anunciar, I am not going to commit suicide don’t worry”, tendo prontamente moderado para “I am still alive”… e outros modos ainda, de expressão comunicativa minimal repetitiva, que se impõem pela sua cadência, método, e persistência. Estamos certos, num processo que é ele próprio de pulverização do tempo.
Aliás, Kawara, de cuja vida pessoal se conhece muito pouco, deu-nos testemunho dessa reconceptualização do tempo, quando por sua iniciativa resolveu contabilizar a idade em dias, facto que levou D. Zwirner (2015) a estimar a vida do artista em 29 771 dias. De facto, ainda que o seu amigo, o artista Lawrence Weiner, atestasse que Kawara “era apenas uma pessoa normal”, a prática de trabalho uniforme, obsessiva e inalterável ao longo de cerca de quatro décadas, e de que a série “I Got Up” é prova evidente, deixa-nos essa inquietação perturbante sobre o modo como concebemos e usamos o tempo. Metáfora perfeita, como o próprio concebeu, para instalar nas rampas em espiral do Solomon R. Guggenheim Museum, de New-York, obra-prima projectada  Frank Lloyd Wright.



Daqui poderemos extrair duas considerações fundamentais. Por um lado, a definição de um conjunto de protocolos e regras auto-impostas, que nos dão conta da descrição, detalhada ao pormenor, da vida pessoal do artista, desde que este se levantava até ao deitar. O tempo, o espaço e todos aqueles com quem interagia. Ainda e contudo, a visão egocêntrica do artista feita acto comunicativo que, como convergem D. Buren e D. Duray (2015), pressagia o mundo actual dos mídia sociais, onde as pessoas documentam continuadamente os pormenores da sua vida diária, independentemente da sua banalidade, como numa página do Facebook, a maneira como passam os dias, os lugares onde vão, e as pessoas que encontram, para deixar um rasto de metadados diário da sua [nossa] existência. E que acrescentaríamos, tal como Kawara enviava postais ilustrados aos amigos a anunciar a hora e o local onde se levantava, porventura também nós, hoje, utilizaremos, não muito diferentemente, as redes sociais electrónicas para registar a nossa pegada digital quotidiana.
Por outro lado, o trabalho de On Kawara convoca-nos para a questão do objecto artístico na era da sua reprodutibilidade técnica, desde logo através de um dos seus lídimos sucedâneos, a fotografia convertida em postal ilustrado, que o artista explora hiperbolicamente até à exaustão. Isto é, o conceito estético da repetição levado até ao paroxismo. Aqui mais do que uso material do postal ilustrado como um suporte, ou fim em si mesmo, o sentido da própria arte consubstancia-se, sobretudo, no acto de envio postal e na cumplicidade dos destinatários que com ele interagiam. Perspectiva que nos permite invocar W. Benjamim (1936) perante a desvinculação da “aura” do objecto artístico, da sua condição de peça única e singular. On Kawara, com o seu labor disciplinado e preciso, ao qual, estamos em crer, não será também estranha a sua sensibilidade oriental de origem, estabelece um modo de trabalho interpelador. Embora assente em suportes banais de representação do espaço e do tempo, apresentados sob uma conjugada vastidão oceânica, como certamente reconheceria W. Benjamim, a obra resgata os valores tão caros à essência canónica do objecto artístico. Tal como ocorreu com a Pop Art, a partir do reordenamento dos objectos, sobretudo, pelo impacte plástico da imagem do seu conjunto, a obra adquire uma nova unicidade, torna-se singular pelo método e, finalmente constitui-se autenticamente verdadeira pela filosofia de vida que proclama. O valor do uso que damos ao nosso próprio tempo.
Por exemplo aquele pequeno gesto que, depois de percorrer a exposição de On Kawara, no faz pensar no conhecido vaticínio de que aquilo que fazes, por mais ínfimo que seja, projecta-se no infinito e na eternidade.

A propósito, Quando [é que] foi [mesmo] a última vez que você enviou um cartão postal?


MSMB, Abril 2015